É possível acreditar que o jovem atual é capaz de se mobilizar para melhorar a situação política e social do país?

domingo, 1 de novembro de 2009

A SAIA DA DISCÓRDIA!


No dia 22 de novembro (quinta-feira), a aluna Geyse Arruda, 20 anos, do curso de turismo de Uniban (Universidade Bandeirante) foi hostilizada por cerca de 700 alunos da faculdade. Aos gritos de “pu-taaa! pu-taaa! Pu-taaa!” a aluna só conseguiu sair do prédio escoltada pela polícia.


Não! Ela não foi acusa de nenhum crime hediondo, daqueles que chocam a opinião pública, e, vira e mexe abre a discussão sobre pena de morte. Também não é suspeita de lesar os cofres públicos desviando milhões de reais da população. Seu crime consistiu em ir à faculdade de mini-saia vermelha (www.folha.com.br/093026). Vendo pela TV as imagens impressionam, a faculdade parecia uma arena romana, pronta para aniquilar a “condenada” ou um daqueles filmes que retratam a Idade Média, onde beatas enfurecidas condenam bruxas à fogueira.

Na enquete acima questionei sobre a capacidade do jovem atual de transformar a realidade política de nossa sociedade, apesar da pequena participação percebi que boa parte das pessoas não acreditam mais no poder da juventude. Fatos como esse acabam reforçando a tese. Geralmente a imagem do jovem estava sempre associada às idéias de vanguarda, havia uma ligação forte entre juventude e contracultura (não é à toa que tivemos o movimento beat, os hippies, depois o punk, o hip-hop e aqui no Brasil o movimento estudantil foi de extrema importância na luta contra o regime militar), o jovem atual personificou os ideais do status quo tornando-se tão conservadores e alienados quanto seus pais.

O ato em si surpreende, pois um fato tão comum revela um lado sombrio da nossa sociedade, equipara-se às manifestações que resultam em linchamento. Para o sociólogo José de Souza Martins pessoas que se envolvem em linchamento geralmente possuem uma “referência social frágil”, surge dentro deste contexto a separação entre ser um “cidadão de bem” ou não. O grande problema é que o linchador sempre age em nome da sociedade, como um arauto da justiça pronto para proteger a sociedade.

Para a psicanalista Anna Veronica Mautner, Geyse adentrou o desejo reprimido dos jovens, que sentindo-se confrontados com a beleza da jovem moça decidiu atacá-la sem piedade.
Existe outro ponto a ser colocado dentro dessa questão, o próprio sucateamento do ensino universitário no Brasil. Se antes o espaço acadêmico era um espaço para reflexão, hoje tornou-se uma extensão do ensino médio, onde muitas vezes alunos sem preparo nenhum dão seqüência aos estudos, mesmo sem a bagagem cultural suficiente. Acredito que nem meus alunos da escola pública seriam capazes de promover uma barbárie como essa.

De qualquer forma esse é um assunto que dá muito para pensar. Afinal, que rumo estamos tomando?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Até quando???


"São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta ConstituiçãoArt. 6º da Constituição da República Federativa do Brasil

No dia 20 de outubro (terça-feira) uma foto registrou uma cena macabra no Rio de Janeiro, o corpo de um jovem dentro de um carrinho de supermercado, em volta uma pequena platéia composta de outros tantos jovens presencia o pequeno espetáculo mórbido. Enfim, mais uma vítima da violência.

Sem dúvida é dizer mais do mesmo quando a comparação é feita relacionando países como Serra Leoa, Iraque, Afeganistão ou qualquer outro país onde há uma guerra declarada, mas a verdade é que a situação já passou do limite há tempos.


Dentro dessa questão é dispensável qualquer teoria sociológica, o que o Brasil (e mais especificamente o Rio de Janeiro) precisa é de ação que envolva governo federal, estadual e municipal, que abranja segurança pública, planejamento econômico e a questão social.


Bom, o que parece simples é na realidade extremamente complicado, pois infelizmente a política brasileira é baseada em projetos isolados que visam a favorecer camadas e grupos específicos.


Ah! E as Olimpíadas de 2016 na “cidade maravilhosa”?


Bem, sem dúvida será um grande evento com sucesso garantido, com ou sem corpo no carrinho de supermercado.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Jovens e consumo


A interessante reportagem da Folha de São Paulo (21/09/09, Folhateen, p. 8 e9) mostra a importância do consumo na vida de jovens com renda familiar de até dois salários mínimos.

A importância está na questão de que esses jovens compensam a falta de perspectiva no trabalho e nos estudos comprando produtos que, de maneira ilusória, o farão sentir-se incluídos.

Os números confirma esses dados, segundo pesquisa de 2008 da Datafolha, 22% dos jovens com renda familiar de até dois salários mínimos dizem achar muito importante estar na moda. A socióloga Paula Nasimento, da USP, realizou um trabalho de pesquisa acompanhando o consumo de 200 jovens de uma entidade da zona oeste de SP, segundo ela "ter é preocupação central para esses jovens".

A mesma reportagem mostra exemplos de jovens que ganham cerca de R$ 700,00 por mês e gastam todo o salário para adquirir celulares, tênis, camisetas, etc.

Oara a antropóloga da Faculdade Santa Marcelina, Cecília Fornazieri, essa é uma aspiração de pobres, ricos, jovens e velhos, porém, os mais pobres "têm mais vontade de fingir ser o que não são", segundo a professora Cecília "moda e aspiração, é querer se fantasiar pontualmente de quem se admira"

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Consumo, consumismo e felicidade


Abaixo trecho de um trabalho de uma aluna sobre a questão da sociedade de consumo:


"Ao meu ver, a felicidade não pode estar relacionada ao que consumismo e sim ao que sentimos, o que conquistamos e não ao que compramos, só que esse é o meu conceito, conheço outras pessoas que tem ideias contrárias à minha, isso por causa do modo de vida, da criação e do meio em que vivem.


O que me traz felicidade, pode trazer infelicidade para outra pessoa e assim vice-versa.


Para a sociedade consumista atual essa 'felicidade' não poderá ser alcançada nunca, pois é uma incenssante busca que nunca terá um fim, só quando mudarmos o nosso conceito sobre felicidade, sobre o que é realmente ser 'feliz'."

Suzana Araujo, aluna do 2º ano do ensino médio, do escola estadual Dep. Silva Prado


Bom, a pergunta que fica é, será que conseguiremos alcançar essa verdadeira consciência do que é a felicidade????




terça-feira, 15 de setembro de 2009

Documentário: O dia em que dorival encarou a guarda (parte I)

video

Esse documentário nos leva a refletir um pouco sobre questões importantes, existentes ainda hoje no Brasil, como preconceito racial, as relações de poder, abuso do poder, a violência institucional, como base das relações sociais.

Tem continuação!!!

domingo, 12 de julho de 2009

E AGORA JOSÉ????

No dia 06/07/09 o sociólogo Zander Navarro, professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul escreveu um artigo para o jornal Folha de São Paulo com o seguinte título: “A ciência da sociedade está à deriva”.
Nesse texto o professor Navarro nos questiona sobre o papel da sociologia no dias atuais e, principalmente, deixa implícita uma crítica aos sociólogos.
Afinal, será que pelo fato da sociologia ter se tornado disciplina obrigatória nas escolas da rede pública, acreditamos que as coisas estão resolvidas?
Nas palavras do professor, não apenas a ciência como “um sistema de conhecimento” está em crise, mas também “como uma instituição social e uma profissão”.

O que me parece é que há um conformismo onde, de um lado temos uma elite acadêmica que não quer largar o osso de maneira alguma, fazendo questão quer largar o osso de maneira alguma, fazendo questobre o papel da sociologia no dias atuais e, principalmente, deixa inplicio de manter um status de intelligentzia, herdada de tempos passados. Do outro lado, o grande contingente de profissionais sem profissão, a não ser ir para as salas de aula e contentar-se em fazer parte de um projeto falido de ensino, e com o tempo se habituar a situação, da mesma forma que Gregor Samsa acostumou-se no seu corpo de barata.

Sim! Pelo jeito não estamos sobrevivendo às transformações do mundo atual, justamente a ciência que deveria dar conta dessas mesmas transformações. Principalmente no Brasil, associamos a sociologia a um partidarismo de esquerda ou ao radicalismo infantil. Com isso a ciência da sociedade e os sociólogos tornaram-se descartáveis, pois vem se demonstrando “impotente para interpretar os temas sociais”.

E a pergunta que fica é o que fazer? Deixar que as coisas continuem da mesma forma ou tomar alguma atitude?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Basicamente podemos dividir a história da música pop entre antes e depois de Michael Jackson.
Mesmo não sendo fã, confesso que na semana de sua morte senti uma tristeza nostálgica, afinal, a morte do rei do pop encerra toda uma época (no caso os anos 80). Lembro-me de como fiquei assustado ao assistir a estreia do videoclipe “Thriller” no Fantástico (quando o programa fazia jus ao nome), não havia nada parecido, Jackson inovava não só nos vídeos, mas também na dança, nos shows, a cada lançamento de disco toda a indústria fonográfica e a mídia direcionava sua atenção única e exclusivamente para o “rei”.
Jackson foi (e continua sendo) a expressão máxima da indústria cultural, seu produto mais perfeito.
A sua “atuação” foi do início ao fim da carreira ininterrupta, impossibilitando a distinção do homem e do artista, transformou-se em “coisa de si próprio” (AB’SÁBER, 2009).
Negro que ficou branco, anjo ou demônio, culpado ou inocente, pedófilo ou apenas um artista que amava as crianças, enfim, ninguém saberá. Mas por traz da bizarrice de Michael Jackson encontramos novamente a face sombria de uma sociedade. Não é à toa que 10 dias após a sua morte seu corpo ainda continua sem descanso, o pai ao anunciar os preparatórios do funeral aproveitou o momento para divulgar sua nova gravadora, a ex-esposa que dizia não estar preparada para a maternidade briga pela guarda dos filhos e a herança que os acompanha, as gravadoras correm para suprir as prateleiras com discos do ídolo recordando os velhos tempos e os fãs disputam ingressos para ver o último show (ou melhor, funeral) do astro.
A indústria cultural é “ultraligeira” fornecendo sempre novos “produtos” para o “consumo psíquico” (MORIN, 1969) das massas, preenchendo assim as lacunas sombrias do nosso ethos corrompido.
Já não existe mais artista como Michael Jackson e nem existirá, pois o fenômeno das celebridades agora é instantâneo, onde um Jackson é fabricado a cada mês.

BIBLIOGRAFIA

- AB’SÁBER, Tales. Ruínas do pop. Jornal Folha de São Paulo, caderno Mais! 05/07/2009

- MORIN, Edgard. “A indústria cultural”, in: Cultura de massas no século XX. Companhia Editora Forense: Rio de Janeiro, 1969.